sábado, 26 de maio de 2012

Trancada

Sussurros atingem sua pele, que tremendo se esconde.
Um rio corre à noite em seu quarto, fazendo-a fenecer pela manhã.
Uma alma perturbada pela pressão negra do mundo...
Merecendo ser jogada no Monturo da vida.
Ela se ajoelhava, cumpria ordens com prazer, vivia feliz...
Por trás de tudo, guardava um segredo sombrio que assustava qualquer mortal.
Um monstro...
A dor se fazia presente todos os dias.
Vivia sozinha aparentemente, só existia Um com quem conversava e podia contar, e ele é exatamente a quem serve.
Um verme desprezível, inútil e traidor.
Não aguentando mais, contou a verdade,
Pensava que tudo se resolveria então,
Foi como uma bomba, atingiu à todos sem querer, feriu, matou, destroçou, destruiu...
Mais uma vez estava sozinha, com medo, triste e com frio... Estava morta.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Μέδουσα

Um mistério a ser desvendado,
Poesia de fino trato, me comove com um olhar...
Alva mais que a neve, perfume tão doce para um ávido paladar...
Nem mesmo as estrelas tem o brilho do seu sorriso,
Flutua como um anjo na sua mais leve inocência,
Cabelos tão macios quanto seda...
Por instantes uma rocha, sem me atrever a me mexer,
A respiração congela, sinto adormecer,
Com lábios quentes desfaz o feitiço que me prende ao chão,
Afrodite transformara a formosa criatura em tentação,
Tentação esta como puro veneno,
Doce como o mel e amargo como o cacau, mas este também no futuro será doce, talvez este seja o vício... A doçura do veneno...



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pinturas...

Te conheci em um dia cinza, o frio queimava minha pele.
Aquele outono foi negro, e falávamos de algo mais...
Sem saber me desfiz em duas...
Andei como um fantasma, que aparece e desaparece quando quer.
Tens olhos semelhantes aos da águia, deslumbrantes e ameaçadores,
E os mesmos se tornam frágeis como os de um cão, em sua serenidade.
Escuto um som tão agradável, como um piano tocando a sinfonia das fadas, consegue escutar?
Não vê mas dança ao compasso dos meus pés.
Quem me dera poder tirar o véu ao qual estou presa.
Quem me dera poder ter a honra de dançar uma última vez ao seu lado.
Quem me dera poder abrir seus olhos...
Me faço imóvel, calada e só, não tenho o direito...
Não sou digna sequer de te olhar, mas posso te proteger, irei continuar...

Defesa de Elena

Sol e Lua...
Fogo e água...
Cada um, um sentimento...
Cada um, uma emoção...
Cada um, um sofrimento...
Cada um, uma carência...
Estou presa, e sem chão para escolher.
Vermes ousam comer minha carne, e corvos a atormentar minha mente...
A solidão é minha única opção.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Iceberg

Pisava em vidro.
Só um som ecoava pelo ambiente, e era um som de sofrimento,
Uma faca cortava-me a garganta em silêncio.
Nebuloso e escuro céu...
Alva como a neve a lua estava,
Tentando esquecer o que assombrava.
Um nó que sufoca, me faz adoecer.
Inércia,
Mais do que instável.
Brilhava mais que o sol...
E este assim me cegava...
Invisível aos teus olhos espero me tornar,
Mas inferno, prometa-me não me abandonar,
Pois estarei lá quando precisar, em segredo, bem baixinho... Feche os os olhos ao acordar.