quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Promiscuidade

A luz queimava minha pele, procurei abrigo na sombra das árvores. Atônita admirava a beleza do lugar. Me sentia viva. O ar puro me invadia as narinas e a vontade de me libertar corria solta pelo meu corpo. De repente estava correndo a procura do desconhecido, fugindo de tudo e de todos. As folhas me cortavam a pele como se fossem facas. Aparentemente meus sentidos haviam ficado mais aguçados.
Lembro que a vi em um lago, quieta, mexendo na água. Não pude deixar de notá-la. Tinha longos cabelos pretos, pele extremamente branca e olhos verdes inquietantes. Sem querer cortei meu dedo em um espinho e o cheiro do sangue fez com que ela se virasse e viesse em minha direção. Não podia me mexer, seus olhos me prendiam no local. Ela levou meu dedo à sua boca e bebeu meu sangue cicatrizando o ferimento, depois sorriu, e caminhou por entre as folhas. Quando me recuperei do choque e fui agradecer, ela havia sumido. Tudo o que eu mais queria era sair dali. Tive a sensação de ser seguida enquanto saia do bosque. Com um sorriso prometi voltar.
Ainda sentia o calor na minha mão, e seu rosto não saia da minha memória. Aquilo foi real?

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